A campanha do Banco Alimentar que usou o pedido que mais fazes ao teu vizinho
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Mais de 400 mil pessoas em Portugal precisam de apoio alimentar. É um número grande, grande ao ponto de deixar de significar alguma coisa para quem o lê de relance. É um valor tão abstrato que o nosso cérebro desassocia e desumaniza. Foi esse o problema que o Banco Alimentar tinha para resolver: como transformar uma estatística em algo que uma pessoa comum sentisse como próximo?
A resposta, desenvolvida com a agência Winicio, foi a campanha "E se fosse alguém que conheces?". Construída à volta de situações do dia a dia, para gerar identificação imediata em vez de distância emocional. A ideia central da campanha foi trocar "400 mil pessoas" por "alguém que conheces". Usaram uma situação pela qual todos nós passamos, para fazer esta analogia: ir pedir aquele ovo, ou um bocadinho de manteiga ao nosso vizinho. Isto muda por completo a forma como o cérebro processa o pedido de ajuda pois traz a situação para o nosso quotidiano.

O que fica para outras ONGs: O que torna esta campanha eficaz não é a produção, é a analogia. Pedir uma doação para quem nunca passou por necessidade é abstrato, mas quase toda a gente já teve de bater à porta do vizinho a pedir um ingrediente que faltava para uma receita. Ao ligar essa memória partilhada ao ato de doar, a campanha transforma um pedido de ajuda distante numa situação em que qualquer pessoa já esteve, dos dois lados. É essa procura por uma analogia do quotidiano, por situações que todos já vivemos, que outras ONGs podem replicar, independentemente da sua causa.
Queres perceber se a tua ONG tem uma história parecida escondida nos teus próprios números e como a podes usar? Fala connosco.


